Bem-vindo a Mãoposta.

Você sempre diz que sabe lidar muito bem com seus medos e problemas, e, por ironia, são eles que te engolem todos os dias. Não deixe de ler nossos textos. Esperamos que se identifique.

Featured

VOCÊ NÃO É A MÃE DELE!

por dmp em 22.5.18
Você acha que pode mudá-lo. Você acha que pode ignorar os seus problemas pra assumir os dele, e sair ilesa. A barragem dele estoura, e você está lá. Ele se fere, e você, band-aid, está lá. Ele grita à noite, e você o ouve. Ele se perde no pânico do seu próprio dia-a-dia, e você, que não lida nem com o seu, ajuda-o a voltar à estrada. Ele rala o joelho por correr exaustivamente em busca do que quer da vida, e você usa os últimos medicamentos da sua maleta de pronto-socorro para tratar da ferida dele. E você, fica sem. Os diabos dele o vencem e você trava a batalha por ele. 


            É sempre você. 


            Mas você não é a mãe dele, entende? Arranque esse instinto protetor de dentro de você. Não é saudável! Ainda que fosse recíproco, ainda que ele valorizasse cada ato heroico seu. Nada vale o seu desgaste emocional, físico e psicológico. Nada vale essa ansiedade que se instaurou em você, por culpa dele — em uma noite, você exerce o seu cargo de tapa-buraco; ponto batido, horário cumprido. A dor dele é tanta, que vaza e você, intuitiva, percebe que há algo de errado com ele. Ele desabafa com você, quando você que queria desabafar com alguém. Sua dor é suprimida, você a invalida. Ele é mais importante, agora. Você trata de cada ferida dele, com o toque e cuidado de uma mãe. Ouve o quão frenético e problemático foi o dia dele; que ele brigou com a mãe e não sabe o que fazer; que ele está atolado de trabalho atrasado da faculdade e não sabe como pôr em dia; que ele anda perdendo o horário das coisas e isso tá o irritando.

            São problemas tão vagos e vaidosos, você pensa. Nem se compara aos seus.

            Mas você se sensibiliza, você encoraja, você acalenta, você, principalmente, ouve. O sono dele aparece, ele se despede, tão grato. Te enche de “obrigados” sinceros, te deseja “boa noite” e seu coração, complacente, se enche de esperança. Você fez o que devia fazer, você pensa... Mas no outro dia, ele te trata como se você não tivesse feito nada ontem. Ele revoga o momento que vocês dois tiveram na noite anterior. Você voltou a ser só mais uma, quando você entregou a ele tudo que tinha.

            À noite, quando você deita na cama, os teus flagelos te consumem e seus olhos estouram de lágrimas, tão pesadas e fulminantes, que não se sustentam nas pálpebras. Seu corpo dói e vem o inferno. Você abra a boca, sem poder respirar. Quer alguém pra conversar, pra te abraçar e espantar o fogo que te consome, afugentar as tuas bestas, mas não há ninguém. Ele dormiu, mas... ainda que ele estivesse acordado, ele não te ouviria... ouviria? Você sabe que não! E se ouvir, por reconhecimento ao que você fez, não será com o mesmo comprometimento, porque ele não se importa, entende?

            Dói ler isso, não é?

            Dói saber que ele não se importa! Ele não faria metade do que você faz por ele, e o mais trágico nisso tudo, é que você tem consciência disso. Não, eu não te julgo. O teu instinto protetor de mãe impera, é mais forte, porque você o ama. Você o ama, ainda que odeie isso. Você odeia o que se tornou por ele: esse maldito estereótipo.

            O que eu quero falar aqui, é que você precisa parar de se auto-anular pelos outros. Ninguém vale o teu prejuízo mental. Não importa se é o teu namorado, teu irmão, teu amigo, teu marido... não importa qual seja a pessoa ou qual cargo sentimental ela exerça na sua vida. Nada, nem ninguém, vale o teu pódio. Você vale o seu pódio. Se todo o tempo em que você perdeu se comprometendo com ele, tivesse tirado para benefício próprio, o quão superabundante você seria? A verdade é que você não faria por si mesma metade do que fez por ele.



            Isso é tenebroso. Você devia ter vergonha — não pelo que você fez a ele, mas pelo que deixou de fazer a você. Orgulhe-se, sim, por ser essa mulher incrível que transborda amor, independente do estado em que esteja e da bagunça que te cubra. Orgulhe-se por nunca ter entregado a ele ódio, ainda que isso fosse o que você quisesse dar. Mas não se orgulhe pela sua negligência. Não se vanglorie, porque não há valor no ato de se rebaixar para elevar os outros. Não há honraria em se diminuir. 

~
            Se desprender dele vai doer. Deixar de se importar, não será fácil. Mas você precisa, por você. Permita que essa desistência te afete uma ou duas semanas, ou até meses, mas não deixe que isso te destrua por uma vida inteira. É melhor sentir uma única dor por estar desistindo dele, do que sentir várias dores de desgostos consecutivos. Uma hora essa abstinência dele vai passar. Comece com testes pequenos, um passo de cada vez: só por essa semana, não queira mais vê-lo, nem falar com ele. Só por essa semana, não tome a dose dele.

            Você vai ficar preocupada que ele te esqueça por vocês passarem tanto tempo sem se falar, mas lembre-se que ele não te procuraria, ainda assim. Porque você estanca as feridas dele, sim, mas existem outras que fazem o mesmo que você. E não, você não vai conseguir ser amiga dele. Não dá. Será como conviver com a heroína, uma luta contra o vício. Quanto mais você estiver com ele, mais ele terá domínio sobre você. Mais será difícil arrancá-lo. Se for mais fácil pra você, bloqueie ele das redes sociais — não será infantilidade, é pra sua saúde mental. Ele é ótimo em te fazer se sentir pequena.

            Você vai conseguir se livrar, com o tempo. E aí, tudo vai voltar a ser seu e você será feliz. Porque você não precisa de alguém que te ame agora. Você precisa se amar. Porque se ele sente algo por você, não é amor... é só gratidão. Você só era “necessária” pra ele.

            Assim como tantas outras são.

O PROBLEMA É QUE COM VOCÊ É TUDO EXAGERADO

por Emanuel Hallef em 7.4.18
Eu sei o quão difícil é ser exagerado. Com você sempre é duas porções. Você sente tudo em dobro. Se você ama, você se entrega e se dispõe. Você se abre. Você se mostra e tudo que você é, é visto e subentendido por quem quer que esteja ao seu lado. É complicado, porque isso abre caminhos para que essas pessoas enxerguem coisas em nós que não eram pra ser vistas.

Talvez isso nos torne fracos.

arte por @coracaodecamille


             Eu sei que tem sido difícil, isso se mostra em teu reflexo. Você perdeu o contato, não sabe mais como ser uma pessoa normal após tudo que aconteceu. E, por trás de tudo isso, há a frustração de ter se perdido ao longo do caminho. Agora, você se sente insuficiente para tudo, até para coisas que antes você fazia tão bem. 

             Mas permita ter um fio de esperança para acreditar que essas coisas, todas elas ficarão melhores e mesmo que seja difícil, isso é quem você é, você sabe disso no seu interior. Espane a poeira de cima de seus ombros, velha máquina enferrujada. Pés no chão, você vai dar a volta por cima. Seja humana outra vez. Porque é isso que somos. Humanos. O problema é, sim, porque com você é tudo exagerado, mas o ser humano por si só é excessivo.

             Não se envergonhe por ter amado de mais. Sua capacidade excessiva de amar não precisa de justificativa ou de perdão. Não se desculpe por amar até perder os sentidos. Não se envergonhe por ser intensa, por amar com uma dupla carga, por se entregar mais do que deve. Não se torne fria porque é conveniente. Talvez exista, sim, um outro jeito. Talvez as palavras não precisem interpretar outros papéis, mas me diga o que você poderia ter feito pra evitar que ele tenha ido? 

             Olhe para trás, você deu o seu melhor, mas o sentimento que vocês tinham começou a sumir e escapulir das mãos dos dois. Nenhum rompimento é indolor, mas o amor não é uma guerra de egos. Vocês chegaram ao fim, não porque você exagerou em tudo que fez: nas cobranças; na exigência de afeto; no querer excessivo de compartilhar da rotina dele; do dia a dia; de querer toques mais precisos e mais contínuos, não aqueles contatos superficiais; de que ele estivesse, realmente, com você e não com o corpo ali e a mente em outro planeta.

             Vocês não terminaram porque você é exagerada.

             Vocês terminaram porque nenhum relacionamento tem a obrigação de durar para sempre. 

JÁ SABEM DA NOVIDADE? Depois de algum tempo trabalhando nisso, eu finalmente publiquei o meu mais novo EBOOK. Ele se chama "O QUE ELE FEZ VOCÊ SE TORNAR?", com 15 textos INÉDITOS e 15 ilustrações INÉDITAS! Para saber como adquiri-lo, é só clicar nessa imagem:



NÃO ESPERE MAIS POR ELE. SIGA!

por Emanuel Hallef em 4.4.18
Nem que você precise andar com a rosa que tu chama de amor enfiada na tua garganta, você deve seguir. Nem que você precise arrancar pétala por pétala e comê-las para depois vomitá-las, você deve seguir. Não por ele. Não porque ele merece que você "não fique no pé dele", não porque desse jeito ele vai passar a se importar com você, sentir a sua falta por conta da sua ausência; ou porque ele vai perceber que você não corre mais por ele e voltará pra você, afim de te ter de volta.

arte por: Mônica Medeiros


             Você precisa seguir porque você merece uma vida que não seja regrada em correr atrás de macho com as mãos sujas de sangue. Você enfrentaria um bombardeio para salvá-lo, e ele não viraria nem a esquina pra te ver por uma última vez. Você dorme aonde os cães dormem, afim que ele passe e te jogue uma migalha de atenção e de afeto. Sua decisão foi tomada em correr atrás dele como uma psicopata. Você causou isso — essa destruição em massa que assolou tua vida.

             Mas você não está fora do tempo. O que será, será. Deixe ser.

             Deixe tudo para trás, permita que o oceano da sensatez leve tudo embora. Se desprender dele vai doer, porque todas as suas expectativas de vida estão nele. Pra você, não faz sentido uma vida em que ele não esteja inserido em cada parte dela. Tudo perde a cor sem ele. E destruir esse universo de fantasia estruturada pela tua carência excessiva e doente, será a coisa mais dolorosa que você fará em sua vida. Mas é preciso. Tem que ser feito. 

             Por ele só há amor. Ele é sua religião e se tornou seu estilo de vida. Não é preciso sobreviver agora, pois esse processo não será imediato. Não é como se você fosse abrir os olhos amanhã e não sentir mais ele dentro de você. Porém, é um processo contínuo. A cura é um processo diário. Todo dia um pouco mais. Todo dia uma parte dele vai perdendo o significado pra você. Você perderá o cheiro dele, se esquecerá do quão quente era o toque das suas mãos, da maneira como ele te pegava de forma tão representativa a ele (como se só ele pudesse te pegar desse jeito), o sexo, tão vigoroso e vivo.

             Tudo vai deixar de ser seu.




             E você se acostumará com o vazio que ficará em você após as peças com o selo dele serem desencaixadas de você. Seu cheiro passará a ser o seu aroma preferido, a quentura do seu próprio corpo voltará a ser a única coisa que você precisa pra se aquecer. A maneira como você se move passará a ser o seu maior exemplo. E o sexo se tornará mais uma lacuna que você não mais preencherá com as formas dele. Você será a sua pessoa preferida no mundo e tudo que envolvia ele perderá o sentido. Sei que tudo parece fazer parte de um conto de fadas, mas funciona.

             Porém, você precisará desligar tudo que ainda te une a ele.

             Siga! Não espere por ele. Não volte para buscá-lo nem mude sua rota pra se encontrar com ele. Há um caminho só seu. Há pessoas só suas que te esperam pra te amar.

             Nada dura para sempre. Nem ele. Nem a sua dor. 

--

JÁ SABEM DA NOVIDADE? Depois de algum tempo trabalhando nisso, eu finalmente publiquei o meu mais novo EBOOK. Ele se chama "O QUE ELE FEZ VOCÊ SE TORNAR?", com 15 textos INÉDITOS e 15 ilustrações INÉDITAS! Para saber como adquiri-lo, é só clicar nessa imagem:



VOCÊ VOLTOU, FERIDO E SOZINHO

por Emanuel Hallef em 7.3.18
Você foi embora em paz.

              E eu fiquei em pedaços, mas aguentei cada minuto infernal da minha existência sem você. Não foi fácil, era tropeço seguido de tropeço. Eu caí, e fiquei no chão, sem saber se alguém me levantaria. Então, eu me levantei sozinha e continuei em frente, sobrevivendo. Eu amenizava a sua ausência com tudo que eu ainda tinha: fotos e frases prontas; chegava em casa mais cedo, dormia mais um pouco. Mentia para os meus amigos dizendo estar bem. Uma revolta incansável, ser feliz já não parecia mais uma opção. Uma vida inteira sumia a cada minuto em uma imensa solidão.


              Eu me tornei um campo escasso e sofrido de sentimentos. Que existência fútil era a minha, inutilizada por alguém que estava feliz sem mim. Que modo desastroso de se estar vivo. Mas passou alguns meses... e você hoje retornou à sua antiga morada, mas não como um filho pródigo. Você voltou reivindicando seu lugar na minha vida. Eu não tenho medo de me entregar. Eu te amei por mil anos e poderia te amar por mais mil. Eu poderia me arriscar, outra vez. Eu poderia, sim, mas não vou.

              E não sinto muito por isso.

              Eu ainda enxergo beleza em você, apesar de tudo. Mas cada momento que eu sofri; de todas as vezes que eu te coloquei na minha frente e te amei antes de mim e antes dos meus amigos e família, de todas as vezes que eu me afoguei no travesseiro da cama, em prantos; de todas as vezes que eu vi o sol nascer por imaginar mil e uma coisas ao teu lado. Tudo o que você me fez passar, me levou a ser quem você vê. 



              Hoje eu vivo com a certeza de que, não importa o quão perfeito o momento pareça, nada é exatamente tão belo assim. Eu aceitava as suas rosas no passado, cega pelos espinhos. Eu estava focada nas raízes que você plantava em mim e nas memórias que construíamos. O tempo todo eu acreditei que te encontraria assim:

              sozinho e ferido, precisando de mim.

              O que você me fez ricocheteou. O tempo trouxe o teu coração de volta. Eu te amei por mil longos anos, e poderia te amar por mais mil. Mas por amor a quem eu sou, e em consideração as feridas que cicatrizaram e por aquelas que ainda doem, eu não vou me prestar a isso.

              Você pode está certo. O universo pode está nos oferecendo uma nova chance para recomeçar, mas eu não me importo.

              Há um milhão de motivos pra eu desistir de você, hoje.

Eu também posto textos e frases no meu Instagram: @hallefemanuel (https://www.instagram.com/hallefemanuel/)

O DRAMA QUE CURA

por Emanuel Hallef em 6.3.18
Berre. Esperneie. Morda seus lençóis, ensope seu travesseiro de lágrimas. Bata os pés no colchão. Quebre o que quiser quebrar. As pessoas dizem que sabem lidar com a dor, por já ter se acostumado com ela, mas é mentira. Ninguém aprende a lidar com a dor, porque ela desgasta, e uma hora ou outra a pessoa sucumbirá. O abcesso maligno que se instaura no peito após uma grande desilusão amorosa é algo que vai muito além de teorias. O que você está sentindo não é bem tristeza. É dor, porque ser rejeitada dói. E não é um eufemismo. Dói como uma surra. Você não vai conseguir curar essa bactéria que se propaga no teu coração, que faz teu corpo tremer em febre, sem retirar o pus. Berre. Chore. Grite para os quatro cantos. Vomite tudo o que ainda há dele dentro de você.



               Se as paredes do seu quarto falassem, elas reclamariam do quanto você só fala, xinga, resmunga, chora e se acaba por ele. Ele ainda está aí dentro. Imenso, forte, intenso, como se fosse ontem. Como se ontem vocês tivessem se encontrado e se amado. Rido, vivido. Mas já faz meses. Deixe as pessoas falarem que você é uma infantil, que você está dramatizando demais, que o que você está passando é pura vaidade, porque afinal, mulher, que é mulher, não chora por homem, não é isso que falam? Deixem te chamar de fraca, deixe que seus ""amigos"" se afastem de você. Você é a única que sabe o peso do que está te consumindo. É muito fácil aconselhar, mandar engolir o choro, se comportar, seguir, cabeça erguida, quando a angústia suprime e o que mais se quer é o fim de tudo, por não conseguir mais enxergar um recomeço.

               Enquanto você não se esvaziar, a dor continuará te corrompendo. Deixe o drama se apossar de você, por dentro de suas entranhas até chegar a saída de sua boca. Deixe suas mãos suarem, deixe seus olhos se avermelharem e arderem, e suas lágrimas secar. Deixe que todo o seu corpo caía em suspensão, a sensação será que sua alma foi arrancada, mas é necessário esse esvaziamento para que a sua consciência compreenda que acabou, para que ela pare de usar a dor como aliada.


               Sua consciência insistirá para que você corra por ele, porque ela não sabe viver sem ele. O espaço que ficou nela, aparentemente impreenchível, a faz se espernear como uma criança querendo doce. Sua consciência acha que nenhuma outra pessoa poderá preencher esse espaço que ficou, e ela se tornou tão abstinente as formas dele, que agora ela não saberá viver com o oco. Quanto mais ela insistir, mais você irá gritar, chorar, se desesperar e se afundar no melodrama.

               Porque será o drama que irá curar você. Será o drama que esvaziará o seu corpo e sua mente, até que você canse e sua própria consciência crie anticorpos que te farão não lembrar mais daquilo que te enfraquece, que no caso, é ele — é seu pensamento nele e no seu retorno que nunca acontecerá. Quanto maior for o seu drama, mais rápido você se recuperará. Verbalize sua dor. Fale com um amigo, irmão, professor, alguém no meio da rua. Fale. Diga o que te incomoda. Deixe esses sentimentos saírem de você, porque uma hora ou outra eles sairão. É melhor que seja logo. Eu sei que você não quer falar o que está sentindo, mas você precisa pra não explodir.

               Não há nada de errado em sofrer por amor. Isso só te torna humana. Você não é fraca por se entregar ao drama, você se torna fraca quando você mente para si mesma e para quem te ama, dizendo estar bem, quando na verdade todo o seu corpo está em colapso. É parte da experiência humana sentir dor, não tenha medo de se abrir pra ela. E, através dela, curar-se.


               Após o que ele deixou para trás em você ir perdendo a força, tudo parecerá muito escuro, mas aí supere e encontre a beleza que o drama te revelou, sim, no meio dos espinhos. A flor viu nos espinhos do cacto uma beleza indescritível que precisava florescer. Você precisa florescer. E sabe o que significa florescer? Se abrir pra novas possibilidades e abraçar o que o destino ainda tem pra te dá. É... você, que sempre foi tão cética, que sempre desacreditou desse papo de destino e "nada acontece por acaso", terá que acreditar que dessa vez tinha que acontecer. Foi preciso, necessário, apesar de doído.

               Se tinha que ser, que bom que foi.

NÃO, VOCÊ NÃO É CULPADA PELOS ERROS QUE ELE COMETEU

por Emanuel Hallef em 5.3.18
Se ele sabia que não ficaria por muito tempo na sua vida, então por que ele criou raízes em você? "Ah, mas nós nunca sabemos por quanto tempo ficaremos na vida de alguém", a questão não é essa! A questão é que ele nunca teve a intenção de ficar, e te usou como marionete para os desejos dele por puro ego. Não teria sido muito fácil se ele tivesse te ignorado desde o princípio? Poderia ter excluído sua mensagem, ou nunca ter clicado em "permitir" no inbox do Instagram, mas não, ele veio com seu papinho de gente-boa. Ele sabia que não estava em um bom momento de sua vida, que o que sentia não era nada além de carência, mas ainda assim quis envolver outra pessoa.


                Ele veio com a sua isca: seus bom-dias/boa-tarde/boa-noite. Simpático, sincero e carinhoso, se importando. Ele perguntava como você estava/sobre o seu dia, puxava assunto, falando de sua vida, se apresentando, quem ele era, até que você se apaixonou pelo que ele se mostrou ser. Ele te pedia para ficar mais um pouco quando você se despedia à noite, e a sua vontade era de ficar por mais 5 vidas. Ele te conheceu. Mostrou-se, te acolheu. Você viu verdade nele. Você ficou. Ele ficou. Ele te viu nua. Te viu virgem. Ele criou raízes, até que elas começaram a apodrecer.

                Não duraram.

                E você está aí, fingindo que esqueceu, até ver ou sentir algo que a faça lembrar.

                E aí, a dor é devastadora.


                Teus amigos não te entendem. Eles te julgam tanto, e nem sabem de nada do que você passa aí dentro. Dentro, no teu íntimo, o ponto preciso que ele atingiu. Teus amigos só veem o fora, e acham que é tão fácil superar algo que foi tão seu, e que agora não mais te pertence. Eles não conhecem a tua rotina: você acorda, após uma noite problemática e solitária, pega o celular e ignora todas as mensagens, vai direto para a conversa dele e envia um "bom dia". Larga o celular, levanta. Dente-banho-roupa, enquanto você toma uma xícara de café, você olha outra vez o telefone. Ele visualizou, mas não respondeu. Isso te reduz e faz doer, e por dentro a angústia e a irritação começam a se instaurar feito queimor, flui por todo o teu corpo.

                45 minutos depois, nada. 2 horas mais tarde. Nada. Você responde um storie dele, e aí funciona. Ele responde: "Bom dia, tudo bem com você???". O coração para, você ofega. É um imã tão poderoso, tão irresistível:"Tudo ótimo. Dormiu bem?", você envia. E aí, segue o vácuo diário. Passa 10, 20 minutos. ONLINE. Passa 2, 3 horas. ONLINE. Mas não há resposta. Você deita pra dormir, esperando que aquele cavalheiro de outras noites, da época que se conheceram, apareça para te desejar "boa noite", saber como foi teu dia, mas continua o ONLINE e ele se quer visualizou sua mensagem. Você relê as mensagens antigas, rever os momentos que passaram juntos, e fica se perguntando onde foi que vocês se perderam, onde e por que a conexão se quebrou.

                Você começa a apontar defeitos em si mesma, em seu temperamento, no que disse ou no que deixou de dizer; se não se preocupou como devia com ele; se não retribuiu a atenção; se foi fria nas respostas; se ia dormir cedo demais e deixava ele sem ter com quem falar. Aparece os "E se...", como tudo poderia ser diferente agora, você pensa, se tivesse feito certas coisas.

                É, eu entendo a proporção do que você sente por ele. É colossal. Não tem diâmetro. E você se reinventaria, viraria do avesso, se desconstruiria somente para tê-lo de volta. Você não controla suas atitudes quando o que está em jogo é conseguir o que vocês dois tinham. Se você dissesse as flores o que você faria por ele, elas floresceriam, eu sei. Mas até que ponto você conseguirá mergulhar e voltar para a superfície sem se afogar?

                O breve "relacionamento" que vocês tiveram foi regrado por erros, mas nenhum deles cometido por você... por sua culpa. Não! Foi ele! Tudo começou por causa dele e através dele. Não deixe que ele te culpe por erros que ele cometeu: o maior dentre eles foi ter usado você como alimento, ter se fortalecido e te deixado na fossa, em restos; ter conquistado o teu domínio secreto, ter te visto gemer pela primeira vez, e após a fissura do seu próprio êxtase, se distanciado como se você não tivesse mais nada de novo para oferecer a ele. Não se culpe por isso, nem por um segundo. Não ache que você foi ingênua, vulgar... não comece a sentir desgosto, nojo de você.

                Sua carne pode ter sido invadida, mas o seu coração e alma, não. 

                E aqui você está vivendo, apesar de tudo. Um dia você acordará e não terá nada dele dentro de você, mas para que isso aconteça, você precisa matar com bondade. Deixe ir. Deixe-o sair. Deixe isso acontecer, pois nada nesse mundo foi prometido ou pertence a você, de qualquer forma. Nem ele. Nem ninguém. Somente você, a si mesma. O que é mais forte do que um coração humano? Ele explode e ainda vive outra vez.

                O seu ainda funciona e voltará a amar outra pessoa, mas hoje não.

                Hoje você precisa se amar e se zelar.

VOCÊ É UMA ILUDIDA

por Emanuel Hallef em 3.3.18
Você queria aprender a desapegar das pessoas como ele desapegou de você, não é? Ainda te dói pensar no assunto... você ainda tem amarras bem pesadas no peito, mas nas primeiras semanas após a ida dele, você ficou sem saber o que fazer. Saía cansada da universidade, a cabeça cheia, e no ônibus você planejava durante o caminho inteiro: "assim que chegar em casa eu vou dormir pra evitar pensar nele", por já saber o que acontece todas as noites. Mas você sempre falhava miseravelmente.

                 É, algumas paixões são difíceis de matar.


                 Você se perdia na noite, encurralada pela madrugada. Em pensamento, você o trazia de volta. Imaginava mil coisas. Conscientemente, você esperava por ele. Você segurava o telefone na mão, bolava de um lado para o outro na cama, ligava a TV, ficava de pé. Esperava que a porta batesse, que ele aparecesse de surpresa na janela do seu quarto, igual o que os amores dos filmes românticos fazem por seus amores. Você só queria ver ele.

                 De certa forma, você via, sim, mas em pensamento. Ele voltava e dizia que nunca foi a intenção dele te magoar, que as coisas não precisavam ser desse jeito e que ele queria voltar para que vocês se tornássemos algo que nunca foram. Você sorria, boba e apaixonada; repousava sua mão sob o peito nu dele e o sentia vivo. Ficava assim... em silêncio, ouvindo o coração dele bater. E você pensava, quieta:

                 "ele está de volta, e é meu. Seremos felizes".


                 Vocês conversavam sem parar, porque parecia não haver tempo para os dois. Ele voltou e ficaria — não existia outro lugar em que ele quisesse estar.

                 E aí, vocês se lembravam das pessoas que desmotivaram vocês lá atrás, quando disseram que a relação não iria para frente pelo fato de vocês pertencerem a mundos diferentes. E você sussurrava no ouvido dele, ainda naquela noite, que você se compatibilizaria a ele, se preciso fosse. Você se renunciaria, pois o amava e o amor pede esse tipo de sacrifício. Ele também dizia que se compatibilizaria a você, em sua totalidade (ele disse que viria inteiro, agora). Você se desfalecia de amor.

                 Perdia todo o senso.

                 Mas...

                 Ainda nas madrugadas, você acordava pra dura realidade. E chorava. Aos prantos. Puxava o lençol para si, depois atirava-o longe. Você adormecia de dor de cabeça e acordava no outro dia, sabendo que esse ciclo vicioso se repetiria: acordar-ônibus-pensar-chorar-e se...-faculdade-noite-madrugada-eledevolta-acordar.

                 Você agia assim, não porque era fraca e não conseguia arrancá-lo de dentro de você. Eu compreendo, existem certos tipos de amores que não acabam, mesmo quando chegam ao fim. E o seu continua no seu peito: vivo e enraizado. Ardendo...

                 feito ferida.

                 Mas você é uma iludida se acha que ele vai voltar.

                 Ele nunca esqueceu o caminho de volta. Ele voltaria, se quisesse. De olhos fechados. Mas ele decidiu te abandonar, te deixar na sarjeta da solidão e da depressão, com uma razão: ele não te ama e o que ele sente por você, hoje, não é mais afeto, mas pena. Não se compara ao que você sente por ele. Vocês não se separaram por causa de incompatibilidade ou por realidades diferentes, vocês se separaram porque ele preferiu alimentar o ego dele com outras mulheres diferentes de você, porém iguais em fisionomia e estrutura de corpo. Ele te procurará em cada mulher.

                 Porém, ele não voltará.

                 Então deixe-o ir. Ele pagará pelo que fez a você. Centavo por centavo.

                 E você ficará bem. Um dia.

Tecnologia do Blogger.